Prédios residenciais que combinam linguagem contemporânea com flexibilidade de planta e de uso do espaço, fugindo do padrão médio do mercado e oferecendo identidade própria, já eram encontrados em outras capitais, e surgem agora também em Belo Horizonte, com incorporação e projeto arquitetônico do escritório Vazio Arquitetura. O edifício Montevidéu 285 está sendo construído em uma rua tranquila do Sion, bairro permeado por edificações residenciais, comércio e serviços, perfil receptivo a empreendimentos inovadores. “O Sion lembra a Vila Madalena, em São Paulo: é um bairro de artistas e de apartamentos de alto padrão”, compara Carlos Teixeira (UFMG, 1992), titular do Vazio Arquitetura.

O projeto valoriza os espaços privativos e o conforto interno por meio de boa iluminação natural, proteção por brises, ambientes sociais e íntimos voltados para o leste, entre outros elementos. Sem equipamentos de uso comum, como área de lazer e salão de festas, o empreendimento terá taxa condominial reduzida. Com apenas sete pavimentos mais cobertura, ele apresenta uma unidade por andar com áreas úteis variáveis em torno dos 105 metros quadrados. Cada um dos sete apartamentos tem planta baixa individualizada e paredes internas de alvenaria independentes da estrutura, o que amplia as possibilidades de intervenções e personalização no uso da área privativa.
Espremido entre outras construções, o Montevidéu 285 aproveita um terreno plano e destaca-se entre os vizinhos pelo movimento da composição volumétrica e pelas diferentes tonalidades do revestimento de agregado mineral jateado das fachadas. Guarda-corpos feitos com bambu protegerão alguns dos terraços, enquanto as telas metálicas perfuradas, engastadas na estrutura do prédio, configuram caixas-jardineiras que funcionarão como brises. Essa mesma tela será utilizada nos demais guarda-corpos.
Atípico, o quarto andar é marcado externamente pelo pé-direito elevado e por vãos de dimensões diferentes das dos outros pisos. “Usamos o gabarito máximo permitido por lei, mas, em vez de dividir o prédio em apartamentos de alturas iguais, optamos por aumentar o pé-direito de um deles de 2,70 para 3,50 metros. Com isso criamos mais um forte atrativo, além da cobertura, que já é naturalmente valorizada”, explica Teixeira. Outro elemento diferenciador do quarto andar é o terraço que forma um balanço em duas de suas faces. “Ele invade o recuo lateral, sem ferir a legislação, e resulta em maior área privativa”, afirma o arquiteto e incorporador. O interior do apartamento terá ainda um desnível de três degraus para dividir o espaço social em duas alas.

No embasamento do edifício ficam apenas os acessos para pedestres e automóveis. A garagem ocupa todo o restante do nível térreo e sua laje de cobertura deu lugar a uma área externa privativa com mais de 260 metros quadrados, incluindo um gazebo já construído, como diferencial da unidade do primeiro andar. O apartamento de cobertura, que soma pouco mais de 230 metros quadrados, divide-se em três pisos, destacando-se a área de lazer com dois terraços independentes no segundo e o jardim/solário no terceiro.

Aproveitando o aquecimento do mercado e a elevação do preço do metro quadrado, os empreendedores decidiram ainda não colocar à venda as unidades do edifício, que será concluído em abril próximo. “A intenção é começar a comercialização nos primeiros meses de 2010. O edifício tem tido boa divulgação e acredito que em pouco tempo todas as unidades serão vendidas”, conclui Teixeira.
Texto de Nanci Corbioli
Publicada originalmente em PROJETODESIGN
Edição 360 Fevereiro de 2010
Fonte: Portal Arcoweb